Após a derrota nas urnas da esquerda italiana, vemos agora a estrondosa derrota dos trabalhistas no Reino Unido.
Sem pretender que os Trabalhistas sejam um partido de esquerda, eram a força que congregava muitos trabalhadores e importantes sectores progressistas em Inglaterera, mas a actuação de Blair levou a um enorme afastamento dos tradicionais apoiantes do Labour. Até em Londres a derrota é humilhante.
A exemplo do que já se disse do governo italiano, convém lembrar que quando os partidos que se afirmam de Esquerda e governam à direita pensam que têm os cidadãos nas mãos (nas urnas) geralmente sofrem desilusões como estas.
O não cumprimento de promessas elitorais e a descarada mentira aos eleitores tem preços altos.
Não se procura, com estas afirmações, dar lições de moral, como habitualmente Sócrates acusa o Bloco de Esquerda, mas apenas chamar a atenção das consequências possiveis da governação que o grupo de José Sócrates vem fazendo no nosso país. O mais grave nem serão as consequências eleitorais, mas o completo descrédito, por parte das populações, na política e nos políticos.
Comentários:










As democracias liberais têm vindo a perpetuar os ciclos das chamadas alternancias. Ou seja, governos e oposições acabam por rodar sempre entre os "mesmos". E esses mesmos acabam por ser, cada vez mais, iguais ... apesar de insinuarem a diferença.
Hoje em dia, aquilo a que podiamos chamar de "arco neo-liberal" comporta os partidos tradicionais da direita, mas também os partidos da dita "Internacional Socialista", os quais surgem como uma espécie de lado "esquerda" do neo-liberalismo.
É claro que entre coisas tão iguais, acaba por ser indiferente escolher uns ou outros. As sociedades democráticas liberais, organizadas na base de um tremendo deficit de participação democrática e social, permitem cidadãos-eleitores e cidadãos-consumidores, mas não permitem cidadãos-trabalhadores e cidadãos interventivos. A par disto, todos sabemos também o que tem sucedido com os níveis de abstenção em processos eleitorais.
Há um enorme desafio, difícil mas urgente: como organizar uma alternativa socialista de poder e não só de contestação. Como organizar uma alternativa socialista que seja consequência de um enorme movimento de massas? E, nisto tudo, como tornar o socialismo um projecto mobilizador e afirmativo ?
Em Itália ganhou agora a direita berlusconiana. Daqui por UNS TEMPOS voltará a "esquerda" liberal representada pelo PD de Veltroni.
Em Inglaterra ganhou agora o Partido Conservador. Daqui a UNS TEMPOS voltará também a "esquerda" liberal representada pelo (new?) Labour.
Como quebrar estes ciclos?