
Olho para a imagem e o que vejo? Um asiático derrubado à força, provavelmente ainda ajoelhado; o ambiente etá pesado, porque o homem transpira ao ritmo de uma taxa de humidade muito acima dos 90%; e os olhos estão serenamente cerrados, como se fosse possível apagar o mundo que está para trás com o simples fechar de pestanas; lá ao fundo, sobre a direita, desfocado, sem rosto portanto, outro homem ameaça de morte o primeiro com uma pistola.
Tudo isto é simbólico, tudo isto é imaginário. O homem que com expressão serena espera pelo fim da tormenta é uma das 22 pessoas que, em média, são executadas por dia na China, segundo um relatório da Amnistia Internacional. O homem sem rosto é um dos algozes.
A onda de protestos globais de marca tibetana que está, lentamente, a conseguir apagar a marcha do facho olímpico também se relaciona com esta imagem simbólica. Como se, de repente, todos tivéssemos acordado para o olímpico desrespeito pelos direitos humanos que há muito, muito tempo acontece no imenso continente guiado por Pequim. Os Jogos, assim mesmo, com maiúscula, há muito que estão transformados numa competição de produtores de esteróides anabolizantes; os Jogos, ainda com maiúscula, há muito que deixaram de ser um meio de paz que unia povos, por todos respeitado nem que fosse em cada quatro anos; hoje vivemos na Era dos jogos, com minúscula, num tempo em que o negócio intercontinental, o vil dólar, vale infinitamente mais que o simples respeito pelos direitos um povo.
E assim será, pelo menos enquanto os povos assim o permitirem.









