Uma vitória de 8 de Março

O Ministério da Educação e os sindicatos chegaram a um entendimento: a avaliação não será suspensa este ano, mas terá por base apenas quatro parâmetros e será aplicada, de forma igual, em todas as escolas do país. E as penalizações desapareceram.

Ao contrário do que alguns chegaram a dizer, não se trata de um acordo, mas de Memorando de Entendimento que salvaguarda, sobretudo, cerca de sete mil professores (contratados, na sua maioria) que necessitam de uma classificação este ano lectivo.

É um evidente recuo da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues (não é por acaso que o líder do PSD questionou prontamente onde tinham ficado as “convicções profundas” da ministra e do primeiro-ministro). Um recuo que, apesar do desprezo verbal a que foi, inicialmente, votado, só está relacionado com uma única coisa: a força da manifestação de 8 de Março. Esta foi a primeira vitória de 8 de Março, quer o Governo goste ou não.

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Criado em: 2008-04-13 21:54:42
Autor: Paulo F. Silva





Comentários:
Autor: Pedro Vitória

Olá camarada!

Estás muito enganado se pensas realmente que o acordo foi feito para beneficiar os professores contratados.

Como é evidente o processo estava ferido de tantas iregularidades que este "acordo", apenas veio limpar os erros da equipa ministerial, que só lançou os documentos em Janeiro quando os objectivos iniciais do professor deveriam ser preenchidos no início do ano lectivo, e aos professores titulares  - avaliadores que não conseguiriam dar resposta ao processo.

Claro que isto iria dar origem a uma onda de recursos e lutas jurídicas por parte dos contratados lesados. Portanto, vês bem quem foi beneficiado, não é?

Pois se um professor contratado tiver que sair de uma escola basta o Executivo decidir, por puro arbítrio, não tem de justificar em nada a não renovação, como vês, não estão na mesma protegidos.

Pois vou dar-te uma dica sobre a "grande vitória dos professores" está atento ao concurso de professores titulares extraordinário.

Os dirigentes sindicais vão ter um regime especial para poderem integrar essa carreira e os professores do 10º escalão entram todos directamente. Sem quotas. São contra a carreira mas negoceiam a entrada nela... E a quota ficará preenchida por muitas décadas...

Um novo escalão para os do topo, para a malta da parte debaixo, fica tudo pior, pois conseguiram desmobilizar os professores em luta.

Há professores a serem pagos a 3 euros à hora, pelas empresas  contratualizadas pelas câmaras para as actividades de complemento curricular no 1º ciclo, e eles negoceiam um novo escalão para quem ganha 2000 euros por mês? Qualifica os negociadores não achas?

Não sei se beneficias destas medidas, mas isto é uma traição aos professores mais desfavorecidos e não uma vitória.

Portanto, se não queres ficar mal na fotografia, não promovas o memorando, se faz favor. Ou então mostra-me que estou enganado.

prof.pedro.vitoria@gmail.com

Cumprimentos,

2008-04-19 19:14:28

Caro Pedro Vitória

Uma das pretensões que, aparentemente, afirmas querer combater estás a levá-la à prática. Dividir os professores entre contratados, titulares e as pessoas que foram contratadas pelas câmaras municipais para dar os chamados  complementos curriculares do 1.º Ciclo.

Esta luta, que se espera que não acabe aqui, só fará algum sentido se conseguir manter unidos os professores, no espírito da manifestação de 8 de Março. Isso, evidentemente, só depende da vontade dos professores.

Parece-nos estares um bocado equivocado, nomeadamente, sobre as questões dos contratados. Efectivamente os professores com contrato só poderão voltar a concorrer se após o contrato forem avaliados.

A causa dos professores contratados foi uma das primeiras razões que levou à assinatura do entendimento entre a Plataforma Sindical e o Ministério.

Este entendimento não será, com certeza, a melhor resposta às pretensões da ministra, mas vai permitir que as estruturas representativas dos professores tenham uma palavra a dizer, o que anteriormente não acontecia.

De qualquer modo, deverás ler com atenção o texto do entendimento, pelo menos para evitar cometer injustiças que não beneficiam ninguém, ao afirmar razões que não estão consignadas naquele.

Mas podes estar certo de que cabe aos professores assumir nas suas mãos o controlo do seu futuro. E isso estamos certos que o farão.

2008-04-21 22:53:56