Uma das razões porque nos abalançamos na criação do Bloco foi a necessidade da recomposição da esquerda em Portugal.
Os violentos ataques de que temos sido alvos, quer por parte do PCP, quer por parte do partido do Governo, dão-nos a indicação de que aquele nosso propósito está a ser conseguido.
De facto, não nos arvoramos em “única força de esquerda” ou em “verdadeiro partido socialista”, mas a esquerda socialista tem no Bloco uma força decidida e capaz, e os nossos concidadãos cada vez mais se apercebem disso.
As afirmações inflamadas proferidas pelos dirigentes do partido de José Sócrates no seu congresso de Espinho são insultuosas, mas ficam com quem as profere. De qualquer modo, confirmam as convicções de muitos aderentes do BE que consideram que nos devemos apresentar ao eleitorado com as nossas próprias listas e com os nossos próprios programas, sem alianças pré-eleitorais com quem quer que seja.
A maioria social de esquerda que defendemos e almejamos surgirá das convergências nas lutas e serão impostas pelos cidadãos independentemente de acordos entre direcções partidárias.
Todas as críticas que temos vindo a fazer ao Governo Sócrates são plenamente justificadas. As propostas que temos apresentado têm sido “olimpicamente” ignoradas pela sobranceria e arrogância dos governantes.
Os nosso concidadãos sabem que são verdadeiras as afirmações que temos feito de que as dificuldades sociais que vivemos poderiam e deveriam ser minimizadas com políticas sociais pensadas e dirigidas nessa direcção, sem demagogias fáceis , nem preocupações meramente eleitoralistas.
As fabulosas somas que já foram entregues à voracidade dos banqueiros do BPN e do BPP , sem esquecer os bónus de 62 milhões entregues ao sr. Manuel Fino, pela Caixa Geral de Depósitos , à frente da qual está um homem do PSD, teriam uma muito melhor utilização no apoio aos desempregados e às pequenas e médias empresas que continuam a ter imensas dificuldades no acesso ao crédito.
Mas esta nossa postura clara não pode ser tida como desculpabilizante dos governos que antecederam o presente ou sequer dos dislates cometidos pela direita, agora aparentemente, na oposição.
Não podemos esquecer que nas direcções dos bancos que têm merecido o apoio do Governo para cobertura das suas actividades fraudulentas, senão criminosas, estão elementos afectos aos partidos de direita que se arvoram em sérios e impolutos.
Os portugueses saberão separar o trigo do joio e não cairão na tentação fácil de substituir uma governação má e incompetente por outra de igual qualidade, ambas geradas no mesmo ninho neoliberal.








