O Ministério da Educação e os sindicatos chegaram a um entendimento: a avaliação não será suspensa este ano, mas terá por base apenas quatro parâmetros e será aplicada, de forma igual, em todas as escolas do país. E as penalizações desapareceram.
Ao contrário do que alguns chegaram a dizer, não se trata de um acordo, mas de Memorando de Entendimento que salvaguarda, sobretudo, cerca de sete mil professores (contratados, na sua maioria) que necessitam de uma classificação este ano lectivo.
É um evidente recuo da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues (não é por acaso que o líder do PSD questionou prontamente onde tinham ficado as “convicções profundas” da ministra e do primeiro-ministro). Um recuo que, apesar do desprezo verbal a que foi, inicialmente, votado, só está relacionado com uma única coisa: a força da manifestação de 8 de Março. Esta foi a primeira vitória de 8 de Março, quer o Governo goste ou não.
Como é possível que num país democrático como Portugal um homem com demonstrações claras de problemas de saúde mental como Alberto João Jardim possa estar à frente de uma região como a Madeira?
Como é possível que um responsável pelo PS como Jaime Gama possa elogiar a “democracia” madeirense ao arrepio, mesmo, do que constatam os seus companheiros de partido?
Como é possível que o presidente da República deixe passar em branco as afirmações “loucas” de Alberto João que insulta permanentemente os eleitos pela oposição na Assembleia Regional?
Como é possível que o sr. dr. Luís Filipe Meneses faça declarações atabalhoadas de apego à democracia e permita os dislates do seu apaniguado madeirense sem sequer se distanciar dos mesmos?
Em que país vivemos?
Que medidas terão os portugueses que tomar para alterar este estado de coisas, repondo a esperança que o 25 de Abril trouxe, de um país democrático quer do ponto de vista político quer social e económico?
Nós, no Bloco de Esquerda, não nos propomos ser nem “inquiridores-mores”, nem os “patriarcas da moralidade”, mas exigimos que a ética republicana não se limite a ser meramente o que está na lei, existem princípios éticos democráticos que deverão merecer o máximo respeito por parte dos políticos, que não deveriam passar de servidores da causa pública e não servir-se dela.
Que os ex-ministros dos partidos de direita corram a ocupar lugares em empresas que anteriormente tinham negócios com os ministérios que tutelavam (tipo Lusoponte, etc.) merecerá sempre a nossa viva repulsa e nunca deixaremos de o denunciar. Que o mesmo seja prática de ex-ministros que se proclamam do socialismo é que já nos parece mais indigno e nunca por nunca deveremos deixar de o denunciar, que mais não seja para que os nossos concidadãos não continuem a afirmar que os políticos são todos iguais.
Podem o sr. primeiro-ministro e o sr. porta-voz do grupo parlamentar do PS dizerem o que quiserem, quer com frases infelizes e até grosseiras, quer com afirmações de circunstância vazias de conteúdo real, que não nos afastaremos dos nossos propósitos de defender o bem público e uma forma de estar na política escorreita e sem compromissos.
É que, até da mulher de César se dizia que não lhe bastava ser séria, era necessário também que o parecesse…
Há 40 anos os estudantes de Nanterre e de Paris rebelaram-se contra a situação que se vivia na França de De Gaule.
A rebeldia manifestada pelos jovens estudantes, universitários e secundários de tantas nacionalidades diferentes, teve a solidariedade dos trabalhadores e inspirou a juventude por todos os países da Europa, da Checoslováquia a Portugal.
Hoje, assistimos a tentativas de lavagem da História e vemos alguns afirmarem a necessidade de erradicar a herança de Maio de 68.
Congratulamo-nos, por isso, ao assistir à realização de iniciativas que buscam discutir o que foi aquele marco importante, nas lutas populares da segunda metade do século XX. Quer seja o colóquio internacional que hoje ocorre no ISCTE , quer seja o comício-festa e debate que o Bloco de Esquerda está a organizar para 10 de Maio.
A situação que hoje se vive, em Portugal e no resto do Mundo, é substancialmente diferente, mas a necessidade de tomar o futuro nas nossas próprias mãos é a mesma que sentiram os jovens que se atreviam a ver a praia sob os paralelos das ruas de Paris e que declararam que era proibido proibir.
É imperioso mostrar que há mais vida para além do egocentrismo individualista que nos impõem e que todos juntos teremos força para alterar este estado de coisas.

Dois iraquianos correm com filhos feridos nos braços a caminho do hospital em Sadr City, em Bagdade (Iraque). Imagens como esta repetir-se-ão até quando?
Trinta e seis elementos considerados de extrema-direita, incluindo Mário Machado, líder da frente Nacional, estão ser julgados em Lisboa num processo por crimes de discriminação racial, detenção ilegal de armas, agressões e sequestro.
Do despacho de pronúncia com 270 páginas, ontem lido em tribunal, constam mensagens de conteúdo xenófobo e homófico, além de apelos à violência e à compra de armas. No Fórum Nacional – Portugal, que reflecte a realidade da extrema-direita lusitana, foram publicadas fotografias e informações pessoais relativas a pessoas descritas como “anti-racistas”.
Faço votos de que o tribunal exerça em liberdade o seu poder, e não dê ouvidos às recentes tonterias verbais do bastonário da Ordem dos Advogados.
P.S.: a propósito deste assunto, o Esquerda.Net publicou, em Outubro de 2007, um interessante dossier, cuja ligação , perfeitamente actual, está aqui.

Esta imagem do fotojornalista paquistanês da agência Reuters Andrees Latif venceu o prémio Pulitzer (Breaking News Photography), hoje anunciado nos EUA. Latif captou o momento em que o fotojornalista japonês Kenji Nagai caiu depois de ter sido mortalmente atingido pelas tropas birmanesas destacadas para travar as manifestações pró-democracia. Foi uma das fotografias mais reproduzidas nas primeiras páginas dos jornais de todo Mundo no ano passado (FOTO: Andrees Latif/Reuters)









