Até quando?

A realidade é triste, muito triste. A vergonha ainda mais profunda.

Afinal, além das mais de sete centenas de prisioneiros – alegados terroristas altamente suspeitos que os Estados Unidos da América (EUA) se encarregaram de transferir para Guantánamo com a cumplicidade activa de muitos e o silêncio de outros, Portugal incuído – que cruzaram ilegalmente os céus europeus, sabe-se hoje que o exclusivo da transferência de suspeitos de terrorismo detidos ilegalmente não se confinou ao transporte aéreo! Foi pelo ar e pelo mar!!! Alguns, muitíssimo poucos, saberão se a coisa não terá sido feita também por terra...

Seja como for, e com aquilo que hoje é conhecido, não haverá já motivos de sobra para questionar formalmente os mais altos responsáveis do país que viveram todo o processo (António Guterres, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e José Sócrates)?

Guantánamo é algo cada vez mais distante das nossas preocupações – e, aqui, a Imprensa é cada vez mais responsável pelo silenciamento de uma das ignomínias mais assustadoras dos tempos modernos. E o país parece cada vez menos preocupado com a sua própria vergonha – perde, a cada dia que passa, a face.

Por isso, perplexo com as notícias mais recentes, me interrogo: até quando Portugal vai caucionar, pela omissão, um comportamento ética, moral e politicamente absolutamente reprovável e contrário a todas as regras básicas da acção humana?

Ver comentários (0) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-04-03 03:47:26
Autor: Paulo F. Silva
Arranjinho insular?

Saber que alguém foi capaz de dizer que Alberto João Jardim é "um exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo" é um exagero de todo o tamanho, inominável. Saber que a afirmação pertence Jaime Gama, actual presidente da Assembleia da República, é chocante. Elogiar como "exemplo supremo" alguém que apenas soube construir uma democracia musculada que o serve e bajula é, também, estranho. Ou será que ainda iremos assistir a mais um qualquer arranjinho insular PSD/PS?

Ver comentários (0) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-04-02 21:24:00
Autor: Paulo F. Silva
Fede a reaccionário!!!
O editorial de hoje do Diário de Notícias (DN) é do mais violento e moderno reaccionarismo que tem surgido – frequentemente sem nos apercebemos... – entre as posições da Direita portuguesa. Em sete parágrafos arquitecta-se, com a maior das latas (vai muito além da desfaçatez...), algo que só pode existir na mente perversa de um dos membros da direcção do DN.


Vejamos, então. Parágrafo por parágrafo.


1
Diz o DN: “A renacionalização da gestão clínica do Hospital Amadora-Sintra, anunciada esta semana pelo primeiro-ministro, é a triste confirmação da inversão de marcha na política de saúde do Governo, que se adivinhava desde a remodelação de Correia de Campos”.
Digo eu: “Renacionalização”? Mas foi anunciada alguma nacionalização? Política, técnica e formalmente não há “renacionalizações”, pelo que só podemos estar a falar de “nacionalizações”. Por isso, questiono: foi anunciada alguma nacionalização? Claro que não! O Governo limitou-se a anunciar que, a partir de 1 de Janeiro do ano que vem!, o Amadora-Sintra volta a ter gestão clínica pública, tal como acontecia desde 1995. E porquê? Explica o “Jornal de Negócios”: “Um dos maiores problemas estava na identificação dos doentes, o que chegou a gerar diferenças de facturação de quase oito milhões de euros. Segundo a informação recolhida, desde 2004 que a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo não valida as contas do Amadora-Sintra”. Ora, se assim é, desconheço, eu aplaudo, é uma boa notícia para os portugueses e os utentes daquela unidade de saúde. Ou será que não há qualquer problema com a troca de ficheiros clínicos, ou com quaisquer diferenças relevantes de facturação? Oito milhões de euros facturados ao Estado a valores de 2004 significa quanto em 2008? Contas por validar desde 2004???


2
Diz o DN: “A ano e meio das eleições, José Sócrates começou já a pôr o pé no travão nas reformas estruturais, que foram o santo e a senha da primeira metade do seu mandato, e a adoptar medidas eleitoralistas, como a redução em 50% das taxas moderadoras, que beneficiará 350 mil idosos”.
Digo eu: Está por demonstrar que Portugal e os portugueses esperam e desesperam pelas propaladas “reformas estruturais “, mas, mesmo dando isso de borla, onde estão as “medidas eleitoralistas”? Uma redução de 50% das taxas moderadoras, que beneficia, espantai!, 350 mil idosos, é uma “medida eleitoralista”?!


3
Diz o DN: “Ana Jorge, a nova ministra, tem-se desdobrado em declarações garantindo que não haveria mudanças na política de saúde, mas hoje já e claro e cristalino que isso não é verdade”
Digo eu: Como?! A senhora ministra, que tão pouco fala (se calhar, para acertar mais que o seu antecessor...), não se tem cansado de dizer outra coisa, como quem diz, parafraseando os treinadores de bancada daquele desporto de que nada entendo, em equipa que ganha não se mexe!. Isto é, o senhor doutor Correia de Campos já fez o trabalho todo!!!, agora é só executar gestão corrente.


4
Diz o DN: “O fim do único exemplo de gestão privada num hospital público é o ponto final numa estratégia que se baseava no princípio de que os privados são mais eficientes a gerir do que o Estado”.
Digo eu: “Os privados são mais eficientes a gerir do que o Estado”. Mas em que livro de Economia foi isso redigido?! Ou será que o interesse privado só se manifesta por aquilo que manifestamente dá lucro, independentemente do que socialmente possa ser mais justo e equilibrado para as populações?, independentemente de quaisquer preocupações sociais?


5
Diz o DN: “As parcerias público-privadas foram também interrompidas. Os privados apenas terão a concessão da gestão dos quatro hospitais da primeira fase (Loures, Braga, Cascais e Vila Franca de Xira). Nos seis hospitais da segunda fase, a participação dos privados vai esgotar-se na actividade de construção civil”.
Digo eu: “Parcerias público-privadas”. As que existem são assim tão bom exemplo? As populações beneficiaram o quê, em concreto? Haja por aí um português que me explique apenas um desses grandiosos benefícios, que lhe ficarei pública e reconhecidamente grato.


6
Diz o DN: “É mau que Sócrates tenha tirado o socialismo da gaveta e deixado de confiar na gestão privada num sector tão crítico e caro como o do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que, apesar de gastar o equivalente a 10% do PIB, tolera o desperdício de um quinto dos medicamentos irem para o lixo”.
Digo eu: Aqui está um parágrafo da mais pura demagogia. Sócrates não tirou qualquer socialismo da gaveta (se calhar, nem mesmo o socialismo do dito Partido Socialista...), pela simples razão de que o socialismo na saúde, em Portugal, nunca chegou sequer a existir. Mas porquê tanta profissão de fé na gestão privada que merece uma confiança tão cega? E se, em tese, confiamos 10% do PIB ao SNS, isso é assim tão deslocado?, ou será que essa verba (despesa) deveria ser transferida para outra rubrica financeiramente mais interessante para os interesses privados? E será que o desperdício de medicamentos é culpa do SNS, do Estado, ou é, afinal, do interesse exclusivo indústria farmacêutica?


7
Diz o DN: “É mau que Sócrates tenha recuado na reforma de um SNS que, apesar de gastar 20 milhões de euros por dia (verba que daria para comprar o mais moderno e rápido jacto da Cessna), tem listas de espera na ordem dos três anos para uma consulta de oftalmologia”.
Digo eu: As listas de espera são um dos cancros do SNS, é facto, mas a comparação da verba que se escoa num dia de SNS com o custo de aquisição de jacto da Cessna é, no mínimo, tola. Ou será que o país precisa assim de tantos jactos?


 
P.S.: Não!, a direcção do DN não pode estar, de todo, bem de consciência, ou será que é racionalmente aceitável a comparação do mais recente caso de violência na escola (triste e execrável) com o massacre do cemitério de Santa Cruz, em Timor-Leste?
Ver comentários (1) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-03-22 07:21:00
Autor: Paulo F. Silva
PROFESSORA AGREDIDA: ALGUMAS REFLEXÕES!

 A agressão (sim, é disto que se trata!) de uma estudante a uma professora, em plena sala de aula, na Escola Carolina Michaelis, no Porto, é uma acto que não é isolado e aparece integrado num processo complexo e grave:

 


  1. Há um processo em curso de desvalorização do ser professor em Portugal. Declarações governamentais de cariz populista contra os professores, contribuem, como exemplo que vem de cima, para um clima de intimidação dos próprios professores.
  2. As familias têm responsabilidades negativas na educação de jovens que nunca foram confrontados com a pedagogia do "não". Alguns jovens, desde pequeninos, são idolatrados como sendo uma espécie de "centro do mundo" ... tudo fazem, tudo podem fazer, às vezes até, no confronto com os próprios pais que tudo permitem ...
  3. Nas escolas não há a prática da democracia e da cidadania. Por exemplo, do lado dos estudantes, como são eleitas as actuais Associações de Estudantes, com que programas (!) e quais os seus principais objectivos. Que práticas promovem, nas escolas, o bom relacionamento entre professores, estudantes e o chamado pessoal administrativo, a não ser um relaciomento que se parce reduzir ao ser estudante para o estudante, ser professor para o professor e ser trabalhador administrativo para o trabalhador administrativo ...
  4. Há uma autentica alienação em tudo o que diz respeito a novas tecnologias consumíveis, tipo telemóvel. E essa alienação ignora o respeito por regras e boas práticas de convívio. Há muita gente que vive, dia após dia, uma realidade construída por SMS, por MMS, por linguagem codificada, ... , sempre desfasada da realidade concreta!

Actos como o que aconteceu na Carolina Michaelis e como vai acontecendo ao ritmo de um por dia nas escolas deste País, requerem tolerância zero!

A par da tolerância zero, é urgente que se restaure um clima de respeito pelos professores e se exija que a Escola Pública forme, com democracia vivida no seu seio, cidadãs e cidadãos!

 

 

João Pedro Freire

(Publicado em Tribuna Socialista a 21.Mar.2008)

 

Ver comentários (1) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-03-22 03:35:52
La Gioconda de George Walker Bush

Gostei da posta de ontem do Cachimbo de Margritte, a propósito do quinto aniversário da invasão do Iraque. E resolvi reproduzi-la, aqui abaixo.

O sorriso (forçado? irónico?) de Saddam Hussein, um ditador assassinado, tem aqui múltiplos efeitos, perverso, de alerta de consciências, para nos fazer parar e, por dois segundos, pensar no que podia estar a acontecer mas não está!, e por aí...

Declaração de interesses: não faço a mais pequena ideia de quem possa ser o autor da posta, mas, insisto, gostei dela.

 

O 5.º aniversário do início da chamada “terceira guerra do Golfo” recuperou as ladainhas sobre o mal que a dita causou ao Iraque e aos iraquianos, ao Médio Oriente, à paz no Mundo ou ao esforço de derrota militar e política dos talibãs no Afeganistão, já para não falar nos desequilíbrios que gerou no sistema global de produção, transformação do petróleo e seus "derivados". Também parece que a guerra fez muito mal aos EUA (ao ponto de provocar uma crise do crédito de alto risco no passado Verão), ao mesmo tempo que deu grande poder e ânimo ao Irão, já para não falar no bem que (felizmente?) terá feito à Rússia ou à China...
No entanto, e como há cinco anos havia um gravíssimo e dramático problema iraquiano que a Administração George W. Bush não inventou – grave e dramático para os iraquianos, e apenas gravíssimo para os EUA, para o Médio Oriente e para o mundo –, pergunto-me se os críticos encarniçados da "invasão" de há um lustro estarão interessados em pensar um minuto que seja e perguntarem em que estado estaria o Iraque, o Médio Oriente e o Mundo caso Saddam Hussein fosse ainda o senhor todo o poderoso do Iraque. Faça-se pois, em nome da honestidade intelectual, o seguinte exercício de “história contrafactual”. Ou seja: “O que é que teria acontecido caso uma coligação internacional liderada pelos EUA não tivesse invadido o Iraque Março de 2003?”
 

 

Ver comentários (0) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-03-21 05:09:58
Autor: Paulo F. Silva
Tempos difíceis

Estão difíceis os tempos que correm... Só pode.

Bem pode José Sócrates, o primeiro-ministro português (ver na foto o ar iluminado), dizer que foi muito influenciado por um filósofo catalão (... que nunca chegou a nomear naquele inenarrável programa televisivo da SIC onde se lavou mais branco que o próprio sabão Omo algum dia conseguirá), bem pode Teixeira dos Santos apregoar, como a banha da cobra que se vende, a bom preço!, na Feira da Senhora Hora, as recuperações e as conquistas da economia portuguesa que muito bem entender (porque também nunca deixará de ser o senhor “Sántos”, com pronúncia e tudo...), bem pode Alberto João Jardim celebrar, com ou sem pompa, os 30 anos de governação na Madeira.

Não façamos de conta! A crise social está aí refastelada – ou será que os indicadores do INE também são conversa fiada? – e, doa a quem doer, vamos pagar mais, por exemplo, pelo nosso crédito à habitação. É só mais um pouco, mas... de pouco em pouco, de bocadinho em bocadinho, lá se foi o salário, e ainda hoje é dia dezoito de um mês de trinta e um dias!

Ver comentários (1) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-03-18 04:42:49
Autor: Paulo F. Silva
A DIREITA TENTA "COLAR-SE" À INDIGNAÇÃO

Já foi criticada e denunciada a tentativa de "colagem" dos partidos de direita às justas reclamações e reivindicações dos utentes do Serviço Nacional de Saúde e agora dos professores.

Aos dirigentes do PSD e do CDS não se podem impedir atitudes de solidariedade com as vítimas dos atropelos aos direitos que afligem os portugueses. O que não se pode permitir é o branqueamento das situações que promoveram enquanto foram poder, o que não foi há tanto tempo como isso; o que não se pode permitir é que num dia prometam desmantelar os serviços públicos e noutro venham, com a maior desfaçatez, defendê-los; o que não se pode esquecer é que, ora se proponham facilitar, ao máximo, os despedimentos, ora prometam estar presentes à porta das fábricas encerradas.

É, por isso, conveniente que nos mantenhamos alerta para estas, aparentes, incongruências e que não nos deixemos enganar por estes cantos de sereia oportunistas e pouco honestos.

Isto não quer dizer que o Governo Sócrates tenha uma postura diferente. Não caíndo em análises fáceis e confusões, sempre dissemos que são farinha do mesmo saco.

Ferreira dos Santos


(Publicado a 11.Março.2008 em Objectivo: Socialismo!)

 

 

Ver comentários (0) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-03-12 08:35:53
Se estes não eram os professores, onde estão os professores?

A gigantesca manifestação dos professores em Lisboa vem corroborar o que temos afirmado sobre a necessidade de lutar colectiva e organizadamente para obter progressos.
Por mais que a Snra. Ministra diga que não é relevante, a manifestação de ontem tem de significar alguma coisa para os governantes deste país.
Então estes 100.000 professores são todos mal informados, manipulados, no fundo ignorantes?
Só a Dra. Lurdes, o Snr. Pedreira e o Snr. Valter Lemos é que são trabalhadores e inteligentes?
Os apoiantes da snra. Ministra estão a aconselhá-la muito mal, também não admira : pelo que lemos nos jornais, são: o Snr Dr. José Miguel Júdice, muito recentemente próximo do PS, mas que continua a fazer juz à alcunha por que era conhecido em Coimbra; o snr. Major Valentim Loureiro cujas actividades " democráticas" são sobejamente conhecidas dos portugueses e o snr. Albino Almeida representante eleito por 104 das 1700 associações de pais das escolas portuguesas.
O nosso povo costuma dizer : diz-me com quem andas , dir-te-ei quem és.

Mais uma coisa, não vale a baixeza de procurar dividir os trabalhadores, tentando atirar os outros funcionários públicos contra os professores. Estas tácticas são já velhas e não colhem, aliás são a continuação do discurso de desacreditação lançado contra professores e contra os restantes funcionários públicos com vista a " ganhar os pais" conforme foi afirmado por estas mesmas individualidades.

Ferreira dos Santos


(Publicado a 9.Março.2008 em Objectivo: Socialismo!)

Ver comentários (0) - ComentarCategoria: Textos > Comentários
Criado em: 2008-03-12 08:29:46