40 ANOS MAIO 68


Quarenta anos depois, a mesma falta de espírito democrático e de abertura que levou o PCF a insultar os estudantes (e os trabalhadores) franceses que tiveram a coragem de se revoltar contra o cinzentismo Gaullista, leva agora o PCP a tentar menosprezar a inicitaiva do Bloco de Esquerda que se propõe lembrar os acontecimentos, não só de Paris, mas também de Praga, na Primavera de 1968.
O artigo publicado no "Avante", assinado por Henrique Custódio, é lamentável e demonstra o anquilosamento a que algumas entidades conseguem chegar.
Após a derrota nas urnas da esquerda italiana, vemos agora a estrondosa derrota dos trabalhistas no Reino Unido.
Sem pretender que os Trabalhistas sejam um partido de esquerda, eram a força que congregava muitos trabalhadores e importantes sectores progressistas em Inglaterera, mas a actuação de Blair levou a um enorme afastamento dos tradicionais apoiantes do Labour. Até em Londres a derrota é humilhante.
A exemplo do que já se disse do governo italiano, convém lembrar que quando os partidos que se afirmam de Esquerda e governam à direita pensam que têm os cidadãos nas mãos (nas urnas) geralmente sofrem desilusões como estas.
O não cumprimento de promessas elitorais e a descarada mentira aos eleitores tem preços altos.
Não se procura, com estas afirmações, dar lições de moral, como habitualmente Sócrates acusa o Bloco de Esquerda, mas apenas chamar a atenção das consequências possiveis da governação que o grupo de José Sócrates vem fazendo no nosso país. O mais grave nem serão as consequências eleitorais, mas o completo descrédito, por parte das populações, na política e nos políticos.
É hoje ratificado na Assembleia da República o Tratado chamado de Lisboa que o Governo PS e o primeiro-ministro José Sócrates não tiveram a coragem de referendar em Portugal, conforme tinham prometido durante a campanha eleitoral.
Os portugueses ficaram assim arredados de discutir um documento que se apresenta com grandes implicações no que vulgarmente se considera soberania nacional.
Não esqueceremos mais esta vergonhosa falta de cumprimento de promessas por parte do PS e de José Sócrates.
Esquerda Nova
O fundador do primeiro movimento marxista-leninista português, Francisco Martins Rodrigues, morreu hoje de madrugada em Lisboa, com 81 anos. Segundo amigos do antigo dirigente revolucionário o funeral realiza-se quarta-feira, às 13.30 horas, no Cemitério do Alto São João, onde o corpo será cremado. A Esquerda Nova apresenta as suas sinceras condolências aos seus familiares e amigos.
Francisco Rodrigues Martins pertenceu ao Comité Central do PCP, partido que abandonou no final de 1963 por discordar das posições pró-soviéticas de Cunhal e no ano seguinte, depois de expulso pelo PCP, fundou o Comité Marxista-Leninista Português. Esteve várias vezes preso pela PIDE, a última das quais entre 1965 e o derrube do antigo regime, em Abril de 1974.
Alguns documentos da autoria de Francisco Martins Rodrigues podem ser consultados aqui e aqui.
Tudo indica que, a partir do final de Maio, o Porto fica ainda mais às escuras. Além da cabeça tinhosa de Rui Rio, há mais alguma onde isto faça sentido?
Tornando tudo isto muito mais claro: a segunda cidade de Portugal passa a ter zero salas de cinema!!! Mas que pesadelo, hein?!...

FOTO: Livia Corona

Olho para a imagem e o que vejo? Um asiático derrubado à força, provavelmente ainda ajoelhado; o ambiente etá pesado, porque o homem transpira ao ritmo de uma taxa de humidade muito acima dos 90%; e os olhos estão serenamente cerrados, como se fosse possível apagar o mundo que está para trás com o simples fechar de pestanas; lá ao fundo, sobre a direita, desfocado, sem rosto portanto, outro homem ameaça de morte o primeiro com uma pistola.
Tudo isto é simbólico, tudo isto é imaginário. O homem que com expressão serena espera pelo fim da tormenta é uma das 22 pessoas que, em média, são executadas por dia na China, segundo um relatório da Amnistia Internacional. O homem sem rosto é um dos algozes.
A onda de protestos globais de marca tibetana que está, lentamente, a conseguir apagar a marcha do facho olímpico também se relaciona com esta imagem simbólica. Como se, de repente, todos tivéssemos acordado para o olímpico desrespeito pelos direitos humanos que há muito, muito tempo acontece no imenso continente guiado por Pequim. Os Jogos, assim mesmo, com maiúscula, há muito que estão transformados numa competição de produtores de esteróides anabolizantes; os Jogos, ainda com maiúscula, há muito que deixaram de ser um meio de paz que unia povos, por todos respeitado nem que fosse em cada quatro anos; hoje vivemos na Era dos jogos, com minúscula, num tempo em que o negócio intercontinental, o vil dólar, vale infinitamente mais que o simples respeito pelos direitos um povo.
E assim será, pelo menos enquanto os povos assim o permitirem.