Por uma Constituinte Europeia!

É a vida, como diria o outro. Será?

Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Só por cima do meu cadáver... Ao menos, a repelente e sinistra figura é sincera (não confundir com honesto...).

Depois do não da Irlanda ao Tratado de Lisboa - nota à navegação!, os argumentos do não na Irlanda são do mais reaccionário que há por esse Mundo fora - a Europa também vai ser sincera, nas próximas duas semanas, tal & qual como o senhor Robert Mugabe, contornando, rodopiando e dançando à volta da fogueira que a democracia permitiu e consagrou como legítimo. E vamos acabar por descobrir, helas!, que, afinal, 1% da população da UE não tem qualquer legitimidade para decidir o futuro dos restantes 99%. Apesar das regras privadas do seu próprio país exigirem-no...

Mas, porque é que os dirigentes que se assumem (e, se calhar, até sentem!) como emanações dos povos europeus não aceitam que uma Constituinte resolveria, de vez, todos esses problemas? Será por que acreditam que são, na realidade, entidades superiores, qualquer coisa "acima" de todos,  e, consequentemente, as populações algo de inferior, ou os "de baixo" não merecem, sequer, exprimir-se?

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Criado em: 2008-06-14 18:00:19
Autor: Paulo F. Silva
Que grande confusão (trauma?) vai naquela cabecinha...

Nunca alinhei na história de que Cavaco Silva era um símbolo recauchutado do regime fascista. O senhor de Boliqueime, que fez a mais famosa e projectada rodagem de um automóvel alguma vez ouvida, apesar de tudo, tinha conquistado a primeira maioria absoluta em Portugal pelas vias legais, e também pelas vias legais foi eleito presidente da República.

Se o ouvi (ler nunca li, porque, simplesmente, o senhor não escreve) 500 vezes, 499 discordei. Mas dei-lhe sempre o benefício da dúvida, quanto mais não fosse pelas mais do que óbvias dificuldades de expressão oral. E, ocorre-me agora, até achei exagerado, em plena década de 1980, um conto de Soares Novais que compara "Aníbal António Cavaco Silva" a "António de Oliveira Salazar" graças à coincidência do... "António"!

Ganhou, ao longo dos anos, um estatuto equivalente ao de um senador, e muitos cidadãos passaram a ouvi-lo como se de uma entidade superior se tratasse.

Mas não. O senhor nunca escapou às "gaffes" que uma inabilidade natural, a da voz, o presenteava a cada passo. Foi assim com o anedótico episódio do bolo-rei. Foi assim também com as bacocas declarações sobre o "netinho". Com o tempo, uma boa e bem montada rede de colaboradores e assessores conseguiu minimizar os custos de tão desbocadas expressões verbais.

Disse o que disse dos jovens, no último 25 de Abril, e saiu-se, apesar de tudo, incólume. Mas, ontem, Cavaco Silva passou-se e ultrapassou todos os limites, ao confundir o Dia de Portugal com o Dia da Raça de triste e má memória!

Ao longo deste 10 de Junho, virão os colaboradores e assessores do costume pôr paninhos de água fria no lume brando. Mas nenhum será capaz de explicar que raio de coisa está inculcada na cabeça do senhor professor para, 34 anos depois da Revolução dos Cravos que nos deu, a todos, liberdade de expressão e de opinião, se ir lembrar da expressão-símbolo do Antigo Regime, fascista e colonialista. Que grande confusão (trauma?) vai naquela cabecinha... E não é legítimo que, ainda que por absurdo, Cavaco Silva, eleito com os votos dos portugueses, queira ressuscitar e branquear 48 anos de escuridão.

É demasiado grave o que está a acontecer. Espero que o protesto, em coro, não venha só do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português, como já aconteceu. Venha daí a consciência e a cidadania de cada um e de todos nós, o medo não pode ter tudo!

Porque a acontecer o silêncio terei de repensar na, então e infelizmente actual, premonição de Alexandre O'Neill, no seu "Poema pouco original do medo":


O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja

mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

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Criado em: 2008-06-10 03:14:32
Autor: Paulo F. Silva
O QUE FAZ CORRER OS “DIRECTORES” DA TSF E DO JN CONTRA A ESQUERDA NÃO ATRIBUIDORA DE PREBENDAS E SINECURAS?

A despeito das suas opiniões, válidas como todas as opiniões, de que a Esquerda alegre e blá-blá-blá nada valem, porque nunca governaram, estes senhores manifestam um estranho ressentimento contra o Bloco de Esquerda. Porquê?

Será que têm que provar estar absolutamente fidelizados ao neoliberalismo que nos tem  (des)governado?

Mesmo assim, copiar os argumentos da bancada parlamentar do PS, nomeadamente do senhor provedor das empresas de trabalho temporário, Vitalino Canas, e do ministro Santos Silva, não assegura um  “reconhecimento” como servidor fiel, a ninguém.

Afirmar que o Bloco de Esquerda, quer a nível parlamentar, quer autárquico, ou mesmo  no campo social, não apresenta propostas só pode querer dizer uma de duas coisas: ou andam muito distraídos ou estão de má fé.

Tantos são os projectos apresentados que, de facto, alguma coisa está mal com a informação a que estes senhores têm ou não têm acesso.

É, no entanto, estranho que um grupo tão pouco válido cause tantas preocupações, quer aos governantes do PS,  quer aos seus porta-vozes na Comunicação Social.

Não será que é porque cada vez mais portugueses estão a entender as propostas alternativas e realmente socialistas que o Bloco de Esquerda apresenta?

A maioria absoluta de que o PS se arroga  não lhe foi dada para fazer o que tem vindo a fazer. Mas essa é outra questão que será discutida mais adiante.

 

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Criado em: 2008-06-09 00:25:40
Autor: Esquerda Nova
À ATENÇÃO DE QUEM DE DIREITO(A)

Após a derrota nas urnas da esquerda italiana, vemos agora a estrondosa derrota dos trabalhistas no Reino Unido.

Sem pretender que os Trabalhistas sejam um partido de esquerda, eram a força que congregava muitos trabalhadores e importantes sectores progressistas em Inglaterera, mas a actuação de Blair levou a um enorme afastamento dos tradicionais apoiantes do Labour. Até em Londres a derrota é humilhante.

A exemplo do que já se disse do governo italiano, convém lembrar que quando os partidos que se afirmam de Esquerda e governam à direita pensam que têm os cidadãos nas mãos (nas urnas) geralmente sofrem desilusões como estas.

O não cumprimento de promessas elitorais e a descarada mentira aos eleitores tem preços altos.

Não se procura, com estas afirmações, dar lições de moral, como habitualmente Sócrates acusa o Bloco de Esquerda, mas apenas chamar a atenção das consequências possiveis da governação que o grupo de José Sócrates vem fazendo no nosso país. O mais grave nem serão as consequências eleitorais, mas o completo descrédito, por parte das populações, na política e nos políticos.

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Criado em: 2008-05-03 11:37:13
Autor: Ferreira dos Santos
O Porto nas trevas

Tudo indica que, a partir do final de Maio, o Porto fica ainda mais às escuras. Além da cabeça tinhosa de Rui Rio, há mais alguma onde isto faça sentido?

Tornando tudo isto muito mais claro: a segunda cidade de Portugal passa a ter zero salas de cinema!!! Mas que pesadelo, hein?!...

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Criado em: 2008-04-16 00:41:33
Autor: Paulo F. Silva
Aberração urbana

FOTO: Livia Corona

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Criado em: 2008-04-15 23:48:15
Autor: Paulo F. Silva
Fascismo comportamental

 

 

 

Pedro Jorge foi ao "Prós e Contras" da RTP1 do passado dia 28 de Janeiro. Aí denunciou que, "a coberto  da modernização e da competitividade, o que aumenta é a exploração sobre quem trabalha. É sempre o mesmo a pagar!" Sem qualquer aumento desde 2003, Pedro Jorge não calou a sua revolta pela exploração a que o seu trabalho está sujeito e as precárias condições de vida dos jovens trabalhadores portugueses.

Grave crime cometeu Pedro Jorge, o de delito de opinião!!! A Cerâmica Torrense, sua entidade empregadora, não gostou do que viu e ouviu e levantou um processo disciplinar com vista, espantai!, ao despedimento do trabalhador. A liberdade de expressão parece cada vez mais um privilégio de quem explora, nunca dos explorados. São episódios como este, executados numa democracia com tons rosa-choque, que levam muitos e muitas a silenciarem a sua opinião, a assumirem o medo como uma segunda pele. A isto também se pode chamar fascismo comportamental imposto por quem manda.

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Criado em: 2008-04-14 15:44:10
Autor: Paulo F. Silva
Uma vitória de 8 de Março

O Ministério da Educação e os sindicatos chegaram a um entendimento: a avaliação não será suspensa este ano, mas terá por base apenas quatro parâmetros e será aplicada, de forma igual, em todas as escolas do país. E as penalizações desapareceram.

Ao contrário do que alguns chegaram a dizer, não se trata de um acordo, mas de Memorando de Entendimento que salvaguarda, sobretudo, cerca de sete mil professores (contratados, na sua maioria) que necessitam de uma classificação este ano lectivo.

É um evidente recuo da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues (não é por acaso que o líder do PSD questionou prontamente onde tinham ficado as “convicções profundas” da ministra e do primeiro-ministro). Um recuo que, apesar do desprezo verbal a que foi, inicialmente, votado, só está relacionado com uma única coisa: a força da manifestação de 8 de Março. Esta foi a primeira vitória de 8 de Março, quer o Governo goste ou não.

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Criado em: 2008-04-13 21:54:42
Autor: Paulo F. Silva